Publicado por: Giselle Brand | maio 2, 2013

ATIVIDADE ASSÍNCRONA DE MAIO

Assista a reportagem disponível do Link:

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/04/com-paralisia-cerebral-jovem-frequenta-faculdade-com-o-pai-e-se-forma-em-jornalismo.html

Discorra sobre a importância da estimulação Psicomotora  em casos de resiliência como este no ambiente Escolar. Envie um comentário contendo entre 3 e 4 parágrafos para giselle@avm.edu.br

 

 

 

 

Publicado por: Giselle Brand | abril 3, 2013

ATIVIDADE ASSÍNCRONA DE ABRIL

MÚSICA

Ouvir música é uma atividade gostosa e relaxante…
Mexe com as emoções, equilibrando-as.
Na educação, se utilizada como recurso, facilita a aprendizagem.
Na Educação Infantil auxilia os pequenos na aprendizagem devido ao seu caráter lúdico.
No Ensino Fundamental permite a assimilação de informações de forma dinâmica e descontraída.
Na Educação Especial, abre possibilidades de aprendizagens para as crianças com deficiência.
A música é a alma da vida.
Portanto, entre neste universo e deixe-se levar…

Desde a Grécia Antiga, a música é considerada fundamental na formação do indivíduo, pois além de distrair e proporcionar sensações prazerosas pode ser utilizada para transmitir conhecimentos de natureza diversas. Na educação, a música pode ser utilizada com ferramenta de ensino/ aprendizagem, uma vez que além de equilibrar as emoções, ativa a memória.
No trabalho com crianças, o professor pode de forma lúdica, utilizar-se das CANTIGAS POPULARES, uma vez que estas se constituem em expressões lingüísticas culturais. Para as crianças que estão em processo de alfabetização, as CANTIGAS POPULARES, auxiliam na aquisição da linguagem oral do povo a qual pertencem ao mesmo tempo em que estas abrem diversas possibilidades de expressão oral, contribuindo para a intercomunicação.
“As canções de ninar tradicionais, os brinquedos cantados e rítmicos, as rodas e cirandas, os jogos com movimentos, as brincadeiras com palmas e gestos sonoros corporais, assim como outras produções do acervo cultural infantil, podem estar presentes e devem se constituir em conteúdos de trabalho”.
(Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil: Conhecimento de Mundo. Brasília, MEC/ SEF, 1998).
Atividades como estas desenvolvem a musicalidade e possibilita a livre expressão das crianças, além de ampliar o vocabulário e estimular a criatividade.

A música constitui um importante instrumento que pode contribuir significativamente na aprendizagem e no desenvolvimento do indivíduo, pois o desperta para um mundo prazeroso e satisfatório, para a mente e para o corpo, pois facilita a aprendizagem e também a sociabilização do mesmo.

A música desenvolve a mente, equilibra as emoções, proporcionando paz de espírito na qual o indivíduo pode melhor concentrar em qualquer campo de pesquisa e do pensamento filosófico.

Cientistas acreditam que a música treina o cérebro para formas superiores de raciocínio. Pesquisas mostram que crianças que estudam música saem-se melhor na escola e na vida e normalmente recebem notas mais altas.
Desse modo fica evidente a importância da musicalidade no cotidiano, para o bem estar pessoal e para a formação do indivíduo.

Fonte: http://musicinsix.blogspot.com.br/ >data de acesso: 03/04/2013.

Comente: De que forma a Música pode auxiliar no desenvolvimento psicomotor das crianças?

Envie seu comentário para o e-mail giselle@avm.edu.br até o dia 30 de Abril.

Publicado por: Giselle Brand | março 5, 2013

ATIVIDADE ASSÍNCRONA DE MARÇO

Faça um resumo apresentando o que mais lhe chamou a atenção no Módulo em que você está estudando atualmente, caso queira complementar inclua acontecimentos que ocorreram com você profissionalmente ou outros exemplos que  tenha relação com o assunto.

Encaminhe o seu comentário com 2 ou 3 parágrafos para o e-mail giselle@avm.edu.br .

Lembre-se de incluir Nome completo, Matrícula e Curso.

A Atividade pode ser encaminhada para o meu e-mail até o dia 31/03.

Publicado por: Giselle Brand | fevereiro 6, 2013

ATIVIDADE ASSÍNCRONA DE FEVEREIRO

Assista o Vídeo com a reportagem sobre Equoterapia e relacione a Equoterapia com o Desenvolvimento Psicomotor.

http://www.youtube.com/watch?v=uipw-_3cCgQ

Encaminhe o seu comentário com 2 ou 3 parágrafos para o e-mail giselle@avm.edu.br . Lembre-se de incluir Nome completo, Matrícula e Curso.

A ATIVIDADE DE FEVEREIRO PODERÁ SER ENVIADA ATÉ 28/02.

Publicado por: Giselle Brand | janeiro 30, 2013

CRONOGRAMA DE CHAT 2013

PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA

PSICOMOTRICIDADE

 

CRONOGRAMA DE CHAT 2013

 

FEVEREIRO /2013

DATA

HORÁRIO

TEMA

MEDIADOR

5/02

17 às 18 horas

Dúvidas Curso, Avaliações e Processo Monográfico

Tutora Giselle

12/02

FERIADO CARNAVAL

FERIADO CARNAVAL

FERIADO CARNAVAL

19/02

17 às 18 horas

Dúvidas AV1

Tutora Giselle

26/02

19 às 20 horas

Dúvidas AV2

Mentora Esther

 

 

MARÇO /2013

DATA

HORÁRIO

TEMA

MEDIADOR

5/03

17 às 18 horas

Dúvidas Atividade Online

Tutora Giselle

12/03

17 às 18 horas

Dúvidas Plano de Pesquisa

Tutora Giselle

19/03

17 às 18 horas

Dúvidas Monografia- Primeira Versão

Tutora Giselle

26/03

19 às 20 horas

Dúvidas Monografia- Versão Final

Mentora Esther

 

 

ABRIL /2013

DATA

HORÁRIO

TEMA

MEDIADOR

2/04

17 às 18 horas

Dúvidas AV1

Tutora Giselle

09/04

17 às 18 horas

Dúvidas Plano de Pesquisa

Tutora Giselle

16/04

17 às 18 horas

Dúvidas Monografia- Primeira Versão

Tutora Giselle

23/04

17 às 18 horas

Dúvidas Atividade Online

Tutora Giselle

30/04

19 às 20 horas

Dúvidas  AV2

Mentora Esther

 

 

MAIO/2013

DATA

HORÁRIO

TEMA

MEDIADOR

07/05

17 às 18 horas

Dúvidas AV1

Tutora Giselle

14/05

17 às 18 horas

Dúvidas Plano de Pesquisa

Tutora Giselle

21/05

17 às 18 horas

Dúvidas Monografia- Primeira Versão

 

28/05

19 às 20 horas

Dúvidas Monografia- Versão Final

Mentora Esther

 

 

Mentora: Profª Maria Esther Araújo

Tutora: Profª Giselle Böger Brand

Publicado por: Giselle Brand | janeiro 22, 2013

ATIVIDADE ASSÍNCRONA DE JANEIRO

Como em Dezembro não foram enviadas Atividades Assíncronas para o meu e-mail, estou postando a Atividade de Dezembro novamente. Aguardo a participação de todos!

Comente o artigo a seguir e relacione o conceito de Psicomotricidade com a sua atuação profissional

Encaminhe o seu comentário com 2 ou 3 parágrafos para o e-mail giselle@avm.edu.br . Lembre-se de incluir Nome completo, Matrícula e Curso.

 

Psicomotricidade: história, desenvolvimento,

conceitos, definições e intervenção profissional

Ricardo Martins Porto Lussac

Introdução ao estudo

Este trabalho teve o objetivo de abordar a história e o desenvolvimento da psicomotricidade, sua definição, conceitos e seu desenvolvimento, e ainda outros aspectos, como: a definição de psicomotricista e suas respectivas áreas de trabalho e intervenção, clientela e mercado de trabalho.

Este estudo poderá de fornecer subsídios para outras de pesquisas sobre o assunto, auxiliando estudantes e pesquisadores da área, e conseqüentemente, em uma possível melhor intervenção e compreensão em suas respectivas áreas.

Considerações sobre a metodologia

A pesquisa seguiu a estratégia de revisão de literatura, análise documental e análise de conteúdo, sendo um estudo histórico e também comparativo. Comparativo, pois, foram verificadas as ausências, semelhanças e diferenças nas definições encontradas.

Quanto ao modelo de estudo, é tipificada como uma pesquisa descritiva, qualitativa, tendo a análise de conteúdo como a sua característica principal e também como procedimento, perfazendo uma revisão de literatura sobre a psicomotricidade. A pesquisa é caracterizada como uma pesquisa indireta, pela utilização de informações, conhecimentos e dados que já foram coletados, através de uma pesquisa documental e bibliográfica, método bibliográfico (MATTOS, 2004).

As fontes foram diversas e tiveram um tratamento qualitativo. Portanto, procurei realizar uma revisão de literatura no intuito de, inicialmente, conhecer o início da história e desenvolvimento da psicomotricidade, perfazendo brevemente sua trajetória em um âmbito geral, encontrando a sua definição por diversos autores utilizados como pressuposto teórico na pesquisa.

Em relação à delimitação do estudo, esta pesquisa foi restrita à revisão de literatura realizada de interesse ao objeto investigado.

Psicomotricidade: histórico e desenvolvimento, conceitos e definições, intervenção profissional e outros aspectos

Quando queremos explicar o desenvolvimento de algo é comum iniciarmos pela gênese do fenômeno. Em todas as culturas isto é um fato corriqueiro e é conhecido academicamente como Cosmogonia. Deste modo, iniciaremos pela história da Psicomotricidade.

Historicamente o termo “psicomotricidade” aparece a partir do discurso médico, mais precisamente neurológico, quando foi necessário, no início do século XIX, nomear as zonas do córtex cerebral situadas mais além das regiões motoras. Com o desenvolvimento e as descobertas da neurofisiologia, começa a constatar-se que há diferentes disfunções graves sem que o cérebro esteja lesionado ou sem que a lesão esteja claramente localizada. São descobertos distúrbios da atividade gestual, da atividade práxica. Portanto, o “esquema anátomo-clínico” que determinava para cada sintoma sua correspondente lesão focal já não podia explicar alguns fenômenos patológicos. É, justamente, a partir da necessidade médica de encontrar uma área que explique certos fenômenos clínicos que se nomeia, pela primeira vez, o termo Psicomotricidade, no ano de 1870. As primeiras pesquisas que dão origem ao campo psicomotor correspondem a um enfoque eminentemente neurológico (SBP, 2003).

A Psicomotricidade no Brasil foi norteada pela escola francesa. Durante as primeiras décadas do século XX, época da primeira guerra mundial, quando as mulheres adentraram firmemente no trabalho formal enquanto suas crianças ficavam nas creches, a escola francesa também influenciou mundialmente a psiquiatria infantil, a psicologia e a pedagogia. Em 1909, a figura de Dupré, neuropsiquiatra, é de fundamental importância para o âmbito psicomotor, já que é ele quem afirma a independência da debilidade motora, antecedente do sintoma psicomotor, de um possível correlato neurológico. Neste período o tônus axial começava a ser estudado por André Thomas e Saint-Anné Dargassie. Em 1925, Henry Wallon, médico psicólogo, ocupa-se do movimento humano dando-lhe uma categoria fundante como instrumento na construção do psiquismo. Esta diferença permite a Wallon relacionar o movimento ao afeto, à emoção, ao meio ambiente e aos hábitos do indivíduo, e discursar sobre o tônus e o relaxamento. Em 1935, Edouard Guilmain, neurologista, desenvolve um exame psicomotor para fins de diagnóstico, de indicação da terapêutica e de prognóstico. Em 1947, Julian de Ajuriaguerra, psiquiatra, redefine o conceito de debilidade motora, considerando-a como uma síndrome com suas próprias particularidades. É ele quem delimita com clareza os transtornos psicomotores que oscilam entre o neurológico e o psiquiátrico. Ajuriaguerra aproveitou os subsídios de Wallon em relação ao tônus ao estudar o diálogo tônico. A relaxação psicotônica foi abordada por Giselle Soubiran (SBP, 2003) e (ISPE-GAE, 2007).

“No Brasil, Antonio Branco Lefévre buscou junto as obras de Ajuriaguerra e Ozeretski, influenciado por sua formação em Paris, a organização da primeira escala de avaliação neuromotora para crianças brasileiras.
Dra. Helena Antipoff, assistente de Claparéde, em Genebra, no Institut Jean-Jacques Rosseau e auxiliar de Binet e Simon em Paris, da escola experimental “La Maison de Paris”, trouxe ao Brasil sua experiência em deficiência mental, baseada na Pedagogia do interesse, derivada do conhecimento do sujeito sobre si mesmo, como via de conquista social… Em 1972, a argentina, Dra. Dalila de Costallat, estagiária do Dr. Ajuriaguerra e da Dra. Soubiran em Paris, é convidada a falar em Brasília às autoridades do Ministério da Educação, sobre seus trabalhos em deficiência mental e inicia contatos e trocas permanentes com a Dra. Antipoff no Brasil” (ISPE-GAE, 2007).

Com estas novas contribuições, a psicomotricidade diferencia-se de outras disciplinas, adquirindo sua própria especificidade e autonomia. Na década de 70, diferentes autores definem a psicomotricidade como uma motricidade de relação, enquanto na mesma época, profissionais estrangeiros convidados vinham ao Brasil para a formação de profissionais brasileiros. Em 1977 é fundado GAE, Grupo de Atividades Especializadas, que veio a promover a partir de 1980 vários encontros nacionais e latino-americanos. O 1° Encontro Nacional de Psicomotricidade foi realizado em 1979. O GAE é responsável pela parte clínica e o ISPE, Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação, destinado à formação de profissionais em psicomotricidade, se dedica ao ensino de aplicações da psicomotricidade em áreas de saúde e educação. Em 1982, o ISPE-GAE realiza o vínculo científico-cultural com a Escola Francesa através da exclusiva Delegação Brasileira da OIPR –Organisation Internationale de Psychomotricité et de Relaxation. A SBP – Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, entidade de caráter científico-cultural sem fins lucrativos, foi fundada em 19 de abril de 1980 com o intuito de lutar pela regulamentação da profissão, unir os profissionais da psicomotricidade e contribuir para o progresso da ciência, promovendo congressos, encontros científicos, cursos, entre outros. Começa então, a ser delimitada uma diferença entre postura reeducativa e uma terapêutica, já demonstrando diferenças em intervenções da Psicomotricidade, e que, ao despreocupar-se da técnica instrumentalista e ao ocupar-se do corpo em sua globalidade, vai dando progressivamente, maior importância à relação, à afetividade e ao emocional, acompanhando as tendências do momento por que passava. No entanto, sob o prisma do discurso da SBP, a psicomotricidade não é a soma da psicologia com a motricidade, ela tem valor em si. Para o psicomotricista, o conceito de unidade ultrapassa a ligação entre psico e soma. O indivíduo é visto dentro de uma globalidade, e não num conjunto de suas inclinações (SBP, 2003) e (ISPE-GAE, 2007).

Encontramos várias definições para a Psicomotricidade. Cada autor coloca o seu olhar para defini-la. A ISPE-GAE e a SBP definem respectivamente a Psicomotricidade e o emprego de seu termo como:

“Psicomotricidade é uma neurociência que transforma o pensamento em ato motor harmônico. É a sintonia fina que coordena e organiza as ações gerenciadas pelo cérebro e as manifesta em conhecimento e aprendizado.

Psicomotricidade é a manifestação corporal do invisível de maneira visível.

É uma ciência terapêutica adotada na Europa há mais de 60 anos, principalmente na França, que instituiu o primeiro curso universitário de Psicomotricidade em 1963 (ISPE-GAE, 2007).

a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo, bem como suas possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. (S.B.P.1999)

Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização” (SBP, 2003).

Nas palavras de Defontaine: “La Psychomotricité est le désir de faire, du vouloir faire; lê savoir faire et le pouvoir faire” (DEFONTAINE apud OLIVEIRA, 2001, p. 28). “A psicomtricidade é um caminho, é o desejo de fazer, de querer fazer; o saber fazer e o poder fazer” (ibidem, 2001, p. 34). Defontaine declara que só poderemos entender a psicomotricidade através de uma triangulação corpo, espaço e tempo. Defontaine define os dois componentes da palavra; psico significando os elementos do espírito sensitivo, e motricidade traduzindo-se pelo movimento, pela mudança no espaço em função do tempo e em relação a um sistema de referência (ibidem, 2001, p. 35). O Prof. Dr. Júlio de Ajuriaguerra, a Profª. Drª. Dalila M. M. de Costallat e a Profª. Drª. Maria Beatriz da Silva Loureiro, fundadora do GAE e do ISPE,conceituam e definem respectivamente a Psicomotricidade de seguinte modo:

“A Psicomotricidade se conceitua como ciência da Saúde e da Educação, pois indiferente das diversas escolas, psicológicas, condutistas, evolutistas, genéticas, etc. ela visa a representação e a expressão motora, através da utilização psíquica e mental do indivíduo (AJURIAGUERRA apud ISPE-GAE, 2007).

Psicomotricidade é a ciência de síntese, que com a pluralidade de seus enfoques, procura elucidar os problemas, que afetam as interrelações harmônicas, que constituem a unidade do ser humano e sua convivência com os demais (COSTALLAT apud ISPE-GAE, 2007).

A Psicomotricidade é a otimização corporal dos potenciais neuro, psico-cognitivo funcionais, sujeitos as leis de desenvolvimento e maturação, manifestados pela dimensão simbólica corporal própria, originale especial do ser humano” (LOUREIRO apud ISPE-GAE, 2007).

Já Fonseca afirma que se deve tentar evitar uma análise desse tipo para não cair no erro de enxergar dois componentes distintos: o psíquico e o motor, pois ambos são o mesmo (FONSECA apud OLIVEIRA, 2001). A psicomotricidade para Fonseca não é exclusiva de um novo método ou de uma “escola” ou de uma “corrente” de pensamento, nem constitui uma técnica, um processo, mas visa fins educativos pelo emprego do movimento humano (ibidem, 2001).

Para Nicola, uma conceituação atual de psicomotricidade é que esta ciência nova, cujo objeto de estudo é o homem nas suas relações com o corpo em movimento, encontra sua aplicação prática em formas de atuação que configuram uma nova especialidade. A psicomotricidade estuda o homem na sua unidade como pessoa (NICOLA, 2004, p. 5). Nicola ainda fornece outro conceito, pautada na soma do termo Motricidade e do prefixo Psico:

“Motricidade: por definição conceitual é a propriedade que têm certas células nervosas de determinar a contração muscular.

Psico (Gr Psyquê): vem representar a alma, espírito, intelecto.

Psicomotricidade: condição de um estado de coisas corpo / mente. Visão global de um indivíduo, onde a base de atuação está no conhecimento desta fusão.” (ibidem, 2004, p. 5).

No geral, os psicomotricistas não costumam gostar do termo motricidade, pois enxergam a motricidade indissociável da psique humana. O termo motricidade é mais utilizado pela área da educação física no âmbito da perspectiva do treinamento esportivo, ligado à coordenação motora como qualidade física, sendo interpretado de forma diferente da perspectiva da Psicomotricidade. Também há uma área do conhecimento que trata a motricidade como um dos seus objetos teóricos e práticos de estudo: é a da Ciência da Motricidade Humana – CMH, ou Cineantropologia, articulada com um corpo epistemológico próprio e que enfoca a motricidade sob um paradigma diferente do da Psicomotricidade. Mas visto que, quando se aborda a motricidade humana, a psique humana não é deixada de fora, certos embates semânticos não merecem tantas linhas de discussão. È necessário observar os objetos de estudos sob a perspectiva de cada área do conhecimento para uma compreensão isenta de poluição epistemológica ou preconceito científico.

O conceito de Ciência da Motricidade Humana do Programa de Ciência da Motricidade Humana da Universidade Castelo Branco, Rio de Janeiro, é o seguinte:

“Ciência da Motricidade Humana é a área do saber que estuda as múltiplas possibilidades intencionais de interpretação do ser do Homem e de suas condutas e comportamentos motores no âmbito da fenomelalogia existencial transubjetiva e da filosofia dos valores, ou seja, a partir da complexidade cultural de uma vida existencial inserida em um contexto de circunstância e facticidade e de corporeidade de um “ser Humano”, do “ente” (do Ser do Homem), em um permanente estado de necessidades, oriundas de suas carências, privações ou vacuidades de natureza: bio-físicas; bio-psíquicas ou emocionais; bio-morais (bioética) ou humanas; bio-sociais ou históricas; e bio-transcendentes ou cósmicas. Tais possibilidades de interpretação são operacionalizadas de forma multidisciplinar, interdisciplinar, transdisciplinar e através dos mecanismos cognoscitivos da pré-compreensão fenomenológica, da explicação fenomênica e da ordenação axiológica.” (BERESFORD, 2004).

Nesta citação e também em outros trabalhos de autores que compõe o corpo epistemológico da CMH, nos deparamos com diversos conceitos que são encontrados nesta área, como: conduta motora, comportamento motor, corporeidade, comunicação motora, ergomotricidade, ludomotricidade, ludoergomotricidade, entre outros. Para não alongar demais este trabalho e por já estar trabalhando com o conceito de motricidade, foi escolhido somente este para perfazer um pequeno esboço da perspectiva da CMH para a motricidade:

“Motricidade: Processo adaptativo, evolutivo e criativo de um ser práxico, carente dos outros, do mundo e da transcedência. Intencionalidade operante, segundo Maurice Merleau-Ponty. O físico, o biológico e o antropossociológico estão nela, como a dialética numa totalidade. Como ser carente, o homem é um ser práxico e onde, por isso, a motricidade se afirma na intencionalidade electiva. Mas a motricidade humana e, conseqüentemente, cultura, acima do mais – cultura não ancilosada em erudição inerte, mas cultivada porque praticada. A motricidade não se confunde com a motilidade. Esta não excresce a faculdade de execução de movimentos que resultam da contração de músculos lisos ou estriados. A motricidade está antes da motilidade, porque tem a ver com os aspectos psicológico, organizativo, subjetivo do movimento. A motricidade é o virtual e a motilidade, o actual, de todo o movimento. Afinal, a motilidade é expressão da motricidade.” (CUNHA, 1994, p. 156).

Continuando a conceituação por outros autores, de acordo com Neto: “A motricidade é a interação de diversas funções motoras (perceptivomotora, neuromotora, psicomotora, neuropsicomotora, etc.)” (NETO, 2002, p. 12). Na visão de De Meur & Staes “a psicomotricidade quer justamente destacar a relação existente entre a motricidade, a mente e a afetividade e facilitar a abordagem global da criança por meio de uma técnica.” (DE MEUR & STAES, 1991, p. 5).

Segundo uma definição considerada por Jacques Chazaud, citada por Alves, “a psicomotricidade consiste na unidade dinâmica das atividades, dos gestos, das atitudes e posturas, enquanto sistema expressivo, realizador e representativo do “ser-em-ação” e da “coexistência” com outrem” (CHAZAUD apud ALVES, 2003, p. 15).

Sob o ponto de vista do “ser-em-ação” e também abordando sob um enfoque histórico-antropológico, podemos recorrer aos estudos de Harrow (apud OLIVEIRA, 2001), que faz uma análise sobre o homem primitivo ressaltando como o desafio de sua sobrevivência estava ligado ao desenvolvimento psicomotor e seu caráter utilitário. As atividades básicas consistiam em caça, pesca e colheita de alimentos e, para isto, os objetivos psicomotores eram essenciais para a continuação da existência em grupo. Necessitavam de agilidade, força, velocidade, coordenação. A recreação, os ritos cerimoniais e as danças em exaltação aos deuses, a criação de objetos de arte também eram outras atividades desenvolvidas por eles. Tiveram que estruturar suas experiências de movimentos em formas utilitárias mais precisas. Hoje, o homem também necessita destas habilidades embora tenha se aperfeiçoado mais para uma melhor adaptação ao meio em que vive. Necessita ter um bom domínio corporal, boa percepção auditiva e visual, uma lateralização bem definida, faculdade de simbolização, orientação espaço-temporal, poder de concentração, percepção de forma, tamanho, número, domínio dos diferentes comandos psicomotores como coordenação fina, global, equilíbrio. Harrow cita ainda os sete movimentos ou modelos de movimentos básicos inerentes ao homem que são: correr, saltar, escalar, levantar peso, carregar (sentido de transportar), pendurar e arremessar; todos eles básicos em trabalhos de práticas e vivências psicomotoras atuais.

O Laboratório de Currículos da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro em 1981 define a educação psicomotora como a educação da criança através de seu próprio corpo e de seu movimento. A criança é vista em sua totalidade e nas possibilidades que apresenta em relação ao meio ambiente, isto é, a educação deve ser feita em função da idade e dos interesses das crianças. Desta forma, a passagem de uma fase para outra será gradativa e dentro do tempo próprio de cada criança. O professor deve acompanhar este tempo sem tentar forçar uma antecipação. Por isso, a psicomotricidade tem como ponto de partida o desenvolvimento psicológico da criança, na medida em que acompanha as leis do amadurecimento do sistema nervoso através da mielinização. Uma das suas finalidades é preparar a base para a educação daquelas capacidades indispensáveis à aprendizagem escolar, evitando dificuldades tão comuns à alfabetização (ARAÚJO, 1998).

Observamos que o Laboratório de Currículos da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro toma como ponto de partida para o desenvolvimento da criança o aspecto psicológico e do sistema nervoso, quanto ao aspecto da maturação da mielinização, o quê podemos constatar nos estudos de Fonseca.

Para Lapierre e para Le Boulch apud Oliveira, a educação psicomotora deve ser uma formação de base indispensável a toda criança (OLIVEIRA, 2001). Para Oliveira, o movimento é um suporte que ajuda a criança adquirir o conhecimento do mundo que a rodeia através de seu corpo, de suas percepções e sensações (ibidem, 2001). De acordo com esta autora, a psicomotricidade se propõe a permitir ao homem “sentir-se bem na sua pele”, permitir que se assuma como realidade corporal, possibilitando-lhe a livre expressão de seu ser; pois de acordo com a autora, o indivíduo não é feito de uma só vez, mas se constrói, paulatinamente, através da interação com o meio e de suas próprias realizações e a psicomotricidade desempenha aí um papel fundamental (ibidem, 2001).

Le Boulch aponta correntes distintas na psicomotricidade. Enquanto uma aponta para a educação psicomotora, outra, para a terapia e reeducação psicomotora (LE BOULCH, 1982). Estas correntes já apontam não só para diferentes intervenções, de um modo superficial, sob a perspectiva de mercado e atuação profissional, mas, sobretudo, de diferentes olhares.

Fonseca nos diz que, a psicomotricidade tende atualmente a ser reconceitualizada, não só pela “intrusão” de fatores antropológicos, filogenéticos, ontogenéticos, paralingüísticos, como essencialmente cibernéticos e psiconeurológicos. È na integração transdisciplinar destas áreas do saber que provavelmente se colocará no futuro a evolução e atualização do conceito de psicomotricidade (FONSECA, 1995). Deste modo, Fonseca expõe um fato comum que ocorre em todas as áreas da Ciência, devido à quantidade de informações que devem ser compartilhadas, pelas atuações e trabalhos transdisciplinares, e pelos diferentes novos olhares e abordagens que vêm surgindo a todo instante nas mais diferentes áreas.

Para Lorenzon, em relação à definição da psicomotricidade convém referir que seu estudo é recente, pois ainda no início deste século era tratada excepcionalmente. Pouco a pouco, a psicomotricidade afirma-se em diversas orientações que atualmente tentem agrupar-se (LORENZON, 1995). Neste sentido é natural que instituições norteadoras da área, como a SBP, apontem os conceitos, definições e abrangência de atuação. Neste caso, Psicomotricista, segundo a SBP, é o profissional da área de saúde e educação que pesquisa, ajuda, previne e cuida do Homem na aquisição, no desenvolvimento e nos distúrbios da integração somapsíquica (SBP, 2003).

Suas áreas de atuação segundo a SBP são: “Educação, Clínica (Reeducação, Terapia), Consultoria e Supervisão.” (ibidem, 2003). A intervenção psicomotora também pode ser diversificada. Mas Mello aponta três áreas básicas de atuação psicomotora:

“Nos estudos dos pesquisadores recentes, são apontados três principais campos de atuação ou formas de abordagem da Psicomotricidade: 1. Reeducação Psicomotora; 2. Terapia Psicomotora; e 3. Educação Psicomotora. Embora em certos trabalhos esses três níveis de atuação cheguem a confundir-se, existem características próprias em cada um deles.” (MELLO, 2002, p. 33).

De acordo com Neto, na atualidade, existe um grande número de profissionais de áreas diversas que utilizam a motricidade ou a psicomotricidade em diferentes contextos e em diferentes faixas etárias, como em escolas, clínicas de reabilitação, academias, hospitais e outros (NETO, 2002). Segundo ele:

“profissionais de medicina (pediatria, psiquiatria, neurologia e reabilitação infantil); psicologia (psicologia evolutiva, do esporte e especial); educação física e pedagogia (ensino regular e fundamental); fisioterapia e fonoaudiologia. A análise dessa realidade leva à busca de critérios claros que justifiquem tal situação de heterogeneidade – tanto no âmbito da interpretação de aspectos teóricos fundamentais como nas decisões relativas à sua aplicação.” (ibidem, 2002, p. 12).

Tamanha diversificação profissional, áreas e sub-áreas não muito bem delimitadas, assim como, competências que acabam por invadir determinadas intervenções, podem causar conflitos em áreas de intervenção profissional. A clientela atendida pelo psicomotricista, como veremos, também é diversificada. Segundo a SBP, esta clientela é a seguinte:

“Crianças em fase de desenvolvimento; bebês de alto risco; crianças com dificuldades/atrasos no desenvolvimento global; pessoas portadoras de necessidades especiais: deficiências sensoriais, motoras, mentais e psíquicas; pessoas que apresentam distúrbios sensoriais, perceptivos, motores e relacionais em conseqüência de lesões neurológicas; família e a 3ª idade.” (SBP, 2003).

E o mercado de trabalho do psicomotricista, o qual mais uma vez podemos caracterizar amplo e diversificado, segundo a SBP consiste em creches; escolas; escolas especiais; clínicas multidisciplinares; consultórios; clínicas geriátricas; postos de saúde; hospitais; empresas (ibidem, 2003). Como observamos, a atuação do psicomotricista, profissão não regulamentada, cujo alguns entendem estar englobada pela área da Educação Física, quando se trata de atuar no âmbito das atividades físicas, certas vezes pode, portanto, adentrar também no âmbito da reabilitação, área característica da Fisioterapia e em certos casos da Fonoaudiologia e da Medicina e Psicologia.

 

 

Resultados e conclusão

Após descrever uma breve narrativa da história e do desenvolvimento da Psicomotricidade e alguns de seus principais personagens, foi constatada através do discurso de diversos autores e instituições, que não há um conceito e definição única. Existem olhares plurais sobre a Psicomotricidade, o que não quer dizer que tais discursos possam divergir, pelo contrário, tais discursos são pautados em pressupostos comuns da Psicomotricidade. Quanto ao aspecto da intervenção na área da psicomotricidade, foi verificado que há basicamente três áreas de atuação: educação, reeducação e terapia psicomotora. Apesar de já haver a vários anos no Brasil, cursos de graduação e pós-graduação latu senso em psicomotricidade reconhecidos pelo MEC, a Psicomotricidade ainda não é uma profissão regulamentada: “No Brasil, tramitamos com um projeto de legalização da profissão do psicomotricista na Assembléia Nacional desde 1996” (ISPE-GAE, 2007), “A Sociedade Brasileira de Psicomotricidade… tem como objetivo maior a busca pela legalização do projeto que regulamenta a profissão” (SBP, 2003). E por ser a Psicomotricidade uma profissão não regulamentada, e por vezes, profissionais de diferentes áreas possivelmente adentrarem em intervenções delimitadas a outras profissões, acreditamos que podem ocorrer conflitos de atuação e intervenção profissional em determinadas áreas.

Referências bibliográficas

  • ALVES, Fátima. Psicomotricidade:      corpo, ação e emoção. Rio de Janeiro: Wak, 2003.
  • ARAUJO, Adriana Simões. Contribuições      da Música no desenvolvimento Psicomotor da criança em idade pré-escolar.      Universidade Estácio de Sá, Faculdade de Educação Física. Dezembro / 1998.
  • BERESFORD, Heron. Conceito      de Ciência da Motricidade Humana. Anotações em sala de aula na disciplina      Estatuto Epistemológico da Motricidade Humana. Universidade Castelo      Branco, Rio de Janeiro, 1º quadrimestre, 2004, (mimeo).
  • CUNHA, Manuel Sérgio Vieira      e. Para uma Epistemologia da Motricidade Humana. 2ª edição. Lisboa:      Compendium, 1994.
  • DE MEUR, A. & STAES, L. Psicomotricidade:      Educação e reeducação – níveis maternal e infantil. Editora Manole,      1991.
  • FONSECA, Vítor da. Manual      de obsevação psicomotora: significação psiconeurológica dos fatores      psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
  • _________.      Psicomotricidade: filogênese, ontogênese e retrogênese. Porto Alegre:      Artes Médicas, 1998.
  • ISPE-GAE. Instituto      Superior de Psicomotricidade e Educação e Grupo de Atividades      Especializadas. Disponível em: http://www.ispegae-oipr.com.br.      Acessado em 08 outubro 2007.
  • LE BOULCH, Jean. O      desenvolvimento psicomotor: do nascimento aos 6 anos. Trad. Por Ana      Guardiola Brizolara. 7ª edição. Porto alegre: Artes Médicas, 1992.
  • LORENZON, Agnès Michele      Marie Delobel. Psicomotricidade: Teoria e Prática. Porto Alegre:      Edições Est, 1995.
  • LUSSAC, Ricardo Martins      Porto (Mestre Teco). Desenvolvimento psicomotor fundamentado na prática      da capoeira e baseado na experiência e vivência de um mestre da      capoeiragem graduado em educação física. Universidade Cândido Mendes,      Pós-Graduação “Lato Sensu”, Projeto A vez do Mestre. Rio de Janeiro: 2004.
  • MATTOS, Mauro Gomes de; ROSSETO      JÚNIOR, José; BLECHER, Shelly. Teoria e prática da metodologia da      pesquisa em educação física: construindo seu trabalho acadêmico:      monografia, artigo científico e projeto de ação. São Paulo: Phorte,      2004.
  • MELLO, Alexandre Moraes de.      Psicomotricidade: Educação Física: Jogos Infantis. 4ª edição. Ibrasa,      2002.
  • NETO, Francisco Rosa.      Manual de avaliação motora. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.
  • NICOLA, Mônica. Psicomotricidade      – Manual Básico. Rio de Janeiro: Revinter, 2004.
  • OLIVEIRA, Gislene de Campos.      Psicomotricidade: Educação e Reeducação num enfoque Psicopedagógico.      5ª edição. Petrópolis: Editora Vozes, 2001.
  • SBP. SOCIEDADE BRASILEIRA      DE PSICOMOTRICIDADE. Disponível em: http://www.psicomotricidade.com.br.      Acesso em: fevereiro 2003.
  • TOJAL, João Batista. Motricidade      Humana: O paradigma emergente. Campinas, SP: editora UNICAMP, 1994.

Fonte: http://www.efdeportes.com/efd126/psicomotricidade-historia-e-intervencao-profissional.htm

Acessado em 28/09/2012.

Publicado por: Giselle Brand | dezembro 18, 2012

BOAS FESTAS !!!

Queridos Alunos (as),

Estamos chegando ao final de mais um ano e gostariamos de agradecer a parceria de vocês neste processo de ensino-aprendizagem.

Aproveitamos para Desejar um NATAL CHEIO DE PAZ …..

E UM ANO NOVO DE MUITAS CONQUISTAS!!!!

images Papai Noel da EAD!!!

 

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Aguarde carregar e depois clique no anjinho…É lindo, vale a pena!!!

Abraços,

Professora Esther e Professora Giselle.

 

Publicado por: Giselle Brand | dezembro 11, 2012

ATIVIDADE ASSÍNCRONA DE DEZEMBRO

Comente o artigo a seguir e relacione o conceito de Psicomotricidade com a sua atuação profissional

Encaminhe o seu comentário com 2 ou 3 parágrafos para o e-mail giselle@avm.edu.br . Lembre-se de incluir Nome completo, Matrícula e Curso.

Psicomotricidade: história, desenvolvimento,

conceitos, definições e intervenção profissional

Ricardo Martins Porto Lussac

Introdução ao estudo

Este trabalho teve o objetivo de abordar a história e o desenvolvimento da psicomotricidade, sua definição, conceitos e seu desenvolvimento, e ainda outros aspectos, como: a definição de psicomotricista e suas respectivas áreas de trabalho e intervenção, clientela e mercado de trabalho.

Este estudo poderá de fornecer subsídios para outras de pesquisas sobre o assunto, auxiliando estudantes e pesquisadores da área, e conseqüentemente, em uma possível melhor intervenção e compreensão em suas respectivas áreas.

Considerações sobre a metodologia

A pesquisa seguiu a estratégia de revisão de literatura, análise documental e análise de conteúdo, sendo um estudo histórico e também comparativo. Comparativo, pois, foram verificadas as ausências, semelhanças e diferenças nas definições encontradas.

Quanto ao modelo de estudo, é tipificada como uma pesquisa descritiva, qualitativa, tendo a análise de conteúdo como a sua característica principal e também como procedimento, perfazendo uma revisão de literatura sobre a psicomotricidade. A pesquisa é caracterizada como uma pesquisa indireta, pela utilização de informações, conhecimentos e dados que já foram coletados, através de uma pesquisa documental e bibliográfica, método bibliográfico (MATTOS, 2004).

As fontes foram diversas e tiveram um tratamento qualitativo. Portanto, procurei realizar uma revisão de literatura no intuito de, inicialmente, conhecer o início da história e desenvolvimento da psicomotricidade, perfazendo brevemente sua trajetória em um âmbito geral, encontrando a sua definição por diversos autores utilizados como pressuposto teórico na pesquisa.

Em relação à delimitação do estudo, esta pesquisa foi restrita à revisão de literatura realizada de interesse ao objeto investigado.

Psicomotricidade: histórico e desenvolvimento, conceitos e definições, intervenção profissional e outros aspectos

Quando queremos explicar o desenvolvimento de algo é comum iniciarmos pela gênese do fenômeno. Em todas as culturas isto é um fato corriqueiro e é conhecido academicamente como Cosmogonia. Deste modo, iniciaremos pela história da Psicomotricidade.

Historicamente o termo “psicomotricidade” aparece a partir do discurso médico, mais precisamente neurológico, quando foi necessário, no início do século XIX, nomear as zonas do córtex cerebral situadas mais além das regiões motoras. Com o desenvolvimento e as descobertas da neurofisiologia, começa a constatar-se que há diferentes disfunções graves sem que o cérebro esteja lesionado ou sem que a lesão esteja claramente localizada. São descobertos distúrbios da atividade gestual, da atividade práxica. Portanto, o “esquema anátomo-clínico” que determinava para cada sintoma sua correspondente lesão focal já não podia explicar alguns fenômenos patológicos. É, justamente, a partir da necessidade médica de encontrar uma área que explique certos fenômenos clínicos que se nomeia, pela primeira vez, o termo Psicomotricidade, no ano de 1870. As primeiras pesquisas que dão origem ao campo psicomotor correspondem a um enfoque eminentemente neurológico (SBP, 2003).

A Psicomotricidade no Brasil foi norteada pela escola francesa. Durante as primeiras décadas do século XX, época da primeira guerra mundial, quando as mulheres adentraram firmemente no trabalho formal enquanto suas crianças ficavam nas creches, a escola francesa também influenciou mundialmente a psiquiatria infantil, a psicologia e a pedagogia. Em 1909, a figura de Dupré, neuropsiquiatra, é de fundamental importância para o âmbito psicomotor, já que é ele quem afirma a independência da debilidade motora, antecedente do sintoma psicomotor, de um possível correlato neurológico. Neste período o tônus axial começava a ser estudado por André Thomas e Saint-Anné Dargassie. Em 1925, Henry Wallon, médico psicólogo, ocupa-se do movimento humano dando-lhe uma categoria fundante como instrumento na construção do psiquismo. Esta diferença permite a Wallon relacionar o movimento ao afeto, à emoção, ao meio ambiente e aos hábitos do indivíduo, e discursar sobre o tônus e o relaxamento. Em 1935, Edouard Guilmain, neurologista, desenvolve um exame psicomotor para fins de diagnóstico, de indicação da terapêutica e de prognóstico. Em 1947, Julian de Ajuriaguerra, psiquiatra, redefine o conceito de debilidade motora, considerando-a como uma síndrome com suas próprias particularidades. É ele quem delimita com clareza os transtornos psicomotores que oscilam entre o neurológico e o psiquiátrico. Ajuriaguerra aproveitou os subsídios de Wallon em relação ao tônus ao estudar o diálogo tônico. A relaxação psicotônica foi abordada por Giselle Soubiran (SBP, 2003) e (ISPE-GAE, 2007).

“No Brasil, Antonio Branco Lefévre buscou junto as obras de Ajuriaguerra e Ozeretski, influenciado por sua formação em Paris, a organização da primeira escala de avaliação neuromotora para crianças brasileiras.
Dra. Helena Antipoff, assistente de Claparéde, em Genebra, no Institut Jean-Jacques Rosseau e auxiliar de Binet e Simon em Paris, da escola experimental “La Maison de Paris”, trouxe ao Brasil sua experiência em deficiência mental, baseada na Pedagogia do interesse, derivada do conhecimento do sujeito sobre si mesmo, como via de conquista social… Em 1972, a argentina, Dra. Dalila de Costallat, estagiária do Dr. Ajuriaguerra e da Dra. Soubiran em Paris, é convidada a falar em Brasília às autoridades do Ministério da Educação, sobre seus trabalhos em deficiência mental e inicia contatos e trocas permanentes com a Dra. Antipoff no Brasil” (ISPE-GAE, 2007).

Com estas novas contribuições, a psicomotricidade diferencia-se de outras disciplinas, adquirindo sua própria especificidade e autonomia. Na década de 70, diferentes autores definem a psicomotricidade como uma motricidade de relação, enquanto na mesma época, profissionais estrangeiros convidados vinham ao Brasil para a formação de profissionais brasileiros. Em 1977 é fundado GAE, Grupo de Atividades Especializadas, que veio a promover a partir de 1980 vários encontros nacionais e latino-americanos. O 1° Encontro Nacional de Psicomotricidade foi realizado em 1979. O GAE é responsável pela parte clínica e o ISPE, Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação, destinado à formação de profissionais em psicomotricidade, se dedica ao ensino de aplicações da psicomotricidade em áreas de saúde e educação. Em 1982, o ISPE-GAE realiza o vínculo científico-cultural com a Escola Francesa através da exclusiva Delegação Brasileira da OIPR –Organisation Internationale de Psychomotricité et de Relaxation. A SBP – Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, entidade de caráter científico-cultural sem fins lucrativos, foi fundada em 19 de abril de 1980 com o intuito de lutar pela regulamentação da profissão, unir os profissionais da psicomotricidade e contribuir para o progresso da ciência, promovendo congressos, encontros científicos, cursos, entre outros. Começa então, a ser delimitada uma diferença entre postura reeducativa e uma terapêutica, já demonstrando diferenças em intervenções da Psicomotricidade, e que, ao despreocupar-se da técnica instrumentalista e ao ocupar-se do corpo em sua globalidade, vai dando progressivamente, maior importância à relação, à afetividade e ao emocional, acompanhando as tendências do momento por que passava. No entanto, sob o prisma do discurso da SBP, a psicomotricidade não é a soma da psicologia com a motricidade, ela tem valor em si. Para o psicomotricista, o conceito de unidade ultrapassa a ligação entre psico e soma. O indivíduo é visto dentro de uma globalidade, e não num conjunto de suas inclinações (SBP, 2003) e (ISPE-GAE, 2007).

Encontramos várias definições para a Psicomotricidade. Cada autor coloca o seu olhar para defini-la. A ISPE-GAE e a SBP definem respectivamente a Psicomotricidade e o emprego de seu termo como:

“Psicomotricidade é uma neurociência que transforma o pensamento em ato motor harmônico. É a sintonia fina que coordena e organiza as ações gerenciadas pelo cérebro e as manifesta em conhecimento e aprendizado.

Psicomotricidade é a manifestação corporal do invisível de maneira visível.

É uma ciência terapêutica adotada na Europa há mais de 60 anos, principalmente na França, que instituiu o primeiro curso universitário de Psicomotricidade em 1963 (ISPE-GAE, 2007).

a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo, bem como suas possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. (S.B.P.1999)

Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização” (SBP, 2003).

Nas palavras de Defontaine: “La Psychomotricité est le désir de faire, du vouloir faire; lê savoir faire et le pouvoir faire” (DEFONTAINE apud OLIVEIRA, 2001, p. 28). “A psicomtricidade é um caminho, é o desejo de fazer, de querer fazer; o saber fazer e o poder fazer” (ibidem, 2001, p. 34). Defontaine declara que só poderemos entender a psicomotricidade através de uma triangulação corpo, espaço e tempo. Defontaine define os dois componentes da palavra; psico significando os elementos do espírito sensitivo, e motricidade traduzindo-se pelo movimento, pela mudança no espaço em função do tempo e em relação a um sistema de referência (ibidem, 2001, p. 35). O Prof. Dr. Júlio de Ajuriaguerra, a Profª. Drª. Dalila M. M. de Costallat e a Profª. Drª. Maria Beatriz da Silva Loureiro, fundadora do GAE e do ISPE,conceituam e definem respectivamente a Psicomotricidade de seguinte modo:

“A Psicomotricidade se conceitua como ciência da Saúde e da Educação, pois indiferente das diversas escolas, psicológicas, condutistas, evolutistas, genéticas, etc. ela visa a representação e a expressão motora, através da utilização psíquica e mental do indivíduo (AJURIAGUERRA apud ISPE-GAE, 2007).

Psicomotricidade é a ciência de síntese, que com a pluralidade de seus enfoques, procura elucidar os problemas, que afetam as interrelações harmônicas, que constituem a unidade do ser humano e sua convivência com os demais (COSTALLAT apud ISPE-GAE, 2007).

A Psicomotricidade é a otimização corporal dos potenciais neuro, psico-cognitivo funcionais, sujeitos as leis de desenvolvimento e maturação, manifestados pela dimensão simbólica corporal própria, originale especial do ser humano” (LOUREIRO apud ISPE-GAE, 2007).

Já Fonseca afirma que se deve tentar evitar uma análise desse tipo para não cair no erro de enxergar dois componentes distintos: o psíquico e o motor, pois ambos são o mesmo (FONSECA apud OLIVEIRA, 2001). A psicomotricidade para Fonseca não é exclusiva de um novo método ou de uma “escola” ou de uma “corrente” de pensamento, nem constitui uma técnica, um processo, mas visa fins educativos pelo emprego do movimento humano (ibidem, 2001).

Para Nicola, uma conceituação atual de psicomotricidade é que esta ciência nova, cujo objeto de estudo é o homem nas suas relações com o corpo em movimento, encontra sua aplicação prática em formas de atuação que configuram uma nova especialidade. A psicomotricidade estuda o homem na sua unidade como pessoa (NICOLA, 2004, p. 5). Nicola ainda fornece outro conceito, pautada na soma do termo Motricidade e do prefixo Psico:

“Motricidade: por definição conceitual é a propriedade que têm certas células nervosas de determinar a contração muscular.

Psico (Gr Psyquê): vem representar a alma, espírito, intelecto.

Psicomotricidade: condição de um estado de coisas corpo / mente. Visão global de um indivíduo, onde a base de atuação está no conhecimento desta fusão.” (ibidem, 2004, p. 5).

No geral, os psicomotricistas não costumam gostar do termo motricidade, pois enxergam a motricidade indissociável da psique humana. O termo motricidade é mais utilizado pela área da educação física no âmbito da perspectiva do treinamento esportivo, ligado à coordenação motora como qualidade física, sendo interpretado de forma diferente da perspectiva da Psicomotricidade. Também há uma área do conhecimento que trata a motricidade como um dos seus objetos teóricos e práticos de estudo: é a da Ciência da Motricidade Humana – CMH, ou Cineantropologia, articulada com um corpo epistemológico próprio e que enfoca a motricidade sob um paradigma diferente do da Psicomotricidade. Mas visto que, quando se aborda a motricidade humana, a psique humana não é deixada de fora, certos embates semânticos não merecem tantas linhas de discussão. È necessário observar os objetos de estudos sob a perspectiva de cada área do conhecimento para uma compreensão isenta de poluição epistemológica ou preconceito científico.

O conceito de Ciência da Motricidade Humana do Programa de Ciência da Motricidade Humana da Universidade Castelo Branco, Rio de Janeiro, é o seguinte:

“Ciência da Motricidade Humana é a área do saber que estuda as múltiplas possibilidades intencionais de interpretação do ser do Homem e de suas condutas e comportamentos motores no âmbito da fenomelalogia existencial transubjetiva e da filosofia dos valores, ou seja, a partir da complexidade cultural de uma vida existencial inserida em um contexto de circunstância e facticidade e de corporeidade de um “ser Humano”, do “ente” (do Ser do Homem), em um permanente estado de necessidades, oriundas de suas carências, privações ou vacuidades de natureza: bio-físicas; bio-psíquicas ou emocionais; bio-morais (bioética) ou humanas; bio-sociais ou históricas; e bio-transcendentes ou cósmicas. Tais possibilidades de interpretação são operacionalizadas de forma multidisciplinar, interdisciplinar, transdisciplinar e através dos mecanismos cognoscitivos da pré-compreensão fenomenológica, da explicação fenomênica e da ordenação axiológica.” (BERESFORD, 2004).

Nesta citação e também em outros trabalhos de autores que compõe o corpo epistemológico da CMH, nos deparamos com diversos conceitos que são encontrados nesta área, como: conduta motora, comportamento motor, corporeidade, comunicação motora, ergomotricidade, ludomotricidade, ludoergomotricidade, entre outros. Para não alongar demais este trabalho e por já estar trabalhando com o conceito de motricidade, foi escolhido somente este para perfazer um pequeno esboço da perspectiva da CMH para a motricidade:

“Motricidade: Processo adaptativo, evolutivo e criativo de um ser práxico, carente dos outros, do mundo e da transcedência. Intencionalidade operante, segundo Maurice Merleau-Ponty. O físico, o biológico e o antropossociológico estão nela, como a dialética numa totalidade. Como ser carente, o homem é um ser práxico e onde, por isso, a motricidade se afirma na intencionalidade electiva. Mas a motricidade humana e, conseqüentemente, cultura, acima do mais – cultura não ancilosada em erudição inerte, mas cultivada porque praticada. A motricidade não se confunde com a motilidade. Esta não excresce a faculdade de execução de movimentos que resultam da contração de músculos lisos ou estriados. A motricidade está antes da motilidade, porque tem a ver com os aspectos psicológico, organizativo, subjetivo do movimento. A motricidade é o virtual e a motilidade, o actual, de todo o movimento. Afinal, a motilidade é expressão da motricidade.” (CUNHA, 1994, p. 156).

Continuando a conceituação por outros autores, de acordo com Neto: “A motricidade é a interação de diversas funções motoras (perceptivomotora, neuromotora, psicomotora, neuropsicomotora, etc.)” (NETO, 2002, p. 12). Na visão de De Meur & Staes “a psicomotricidade quer justamente destacar a relação existente entre a motricidade, a mente e a afetividade e facilitar a abordagem global da criança por meio de uma técnica.” (DE MEUR & STAES, 1991, p. 5).

Segundo uma definição considerada por Jacques Chazaud, citada por Alves, “a psicomotricidade consiste na unidade dinâmica das atividades, dos gestos, das atitudes e posturas, enquanto sistema expressivo, realizador e representativo do “ser-em-ação” e da “coexistência” com outrem” (CHAZAUD apud ALVES, 2003, p. 15).

Sob o ponto de vista do “ser-em-ação” e também abordando sob um enfoque histórico-antropológico, podemos recorrer aos estudos de Harrow (apud OLIVEIRA, 2001), que faz uma análise sobre o homem primitivo ressaltando como o desafio de sua sobrevivência estava ligado ao desenvolvimento psicomotor e seu caráter utilitário. As atividades básicas consistiam em caça, pesca e colheita de alimentos e, para isto, os objetivos psicomotores eram essenciais para a continuação da existência em grupo. Necessitavam de agilidade, força, velocidade, coordenação. A recreação, os ritos cerimoniais e as danças em exaltação aos deuses, a criação de objetos de arte também eram outras atividades desenvolvidas por eles. Tiveram que estruturar suas experiências de movimentos em formas utilitárias mais precisas. Hoje, o homem também necessita destas habilidades embora tenha se aperfeiçoado mais para uma melhor adaptação ao meio em que vive. Necessita ter um bom domínio corporal, boa percepção auditiva e visual, uma lateralização bem definida, faculdade de simbolização, orientação espaço-temporal, poder de concentração, percepção de forma, tamanho, número, domínio dos diferentes comandos psicomotores como coordenação fina, global, equilíbrio. Harrow cita ainda os sete movimentos ou modelos de movimentos básicos inerentes ao homem que são: correr, saltar, escalar, levantar peso, carregar (sentido de transportar), pendurar e arremessar; todos eles básicos em trabalhos de práticas e vivências psicomotoras atuais.

O Laboratório de Currículos da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro em 1981 define a educação psicomotora como a educação da criança através de seu próprio corpo e de seu movimento. A criança é vista em sua totalidade e nas possibilidades que apresenta em relação ao meio ambiente, isto é, a educação deve ser feita em função da idade e dos interesses das crianças. Desta forma, a passagem de uma fase para outra será gradativa e dentro do tempo próprio de cada criança. O professor deve acompanhar este tempo sem tentar forçar uma antecipação. Por isso, a psicomotricidade tem como ponto de partida o desenvolvimento psicológico da criança, na medida em que acompanha as leis do amadurecimento do sistema nervoso através da mielinização. Uma das suas finalidades é preparar a base para a educação daquelas capacidades indispensáveis à aprendizagem escolar, evitando dificuldades tão comuns à alfabetização (ARAÚJO, 1998).

Observamos que o Laboratório de Currículos da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro toma como ponto de partida para o desenvolvimento da criança o aspecto psicológico e do sistema nervoso, quanto ao aspecto da maturação da mielinização, o quê podemos constatar nos estudos de Fonseca.

Para Lapierre e para Le Boulch apud Oliveira, a educação psicomotora deve ser uma formação de base indispensável a toda criança (OLIVEIRA, 2001). Para Oliveira, o movimento é um suporte que ajuda a criança adquirir o conhecimento do mundo que a rodeia através de seu corpo, de suas percepções e sensações (ibidem, 2001). De acordo com esta autora, a psicomotricidade se propõe a permitir ao homem “sentir-se bem na sua pele”, permitir que se assuma como realidade corporal, possibilitando-lhe a livre expressão de seu ser; pois de acordo com a autora, o indivíduo não é feito de uma só vez, mas se constrói, paulatinamente, através da interação com o meio e de suas próprias realizações e a psicomotricidade desempenha aí um papel fundamental (ibidem, 2001).

Le Boulch aponta correntes distintas na psicomotricidade. Enquanto uma aponta para a educação psicomotora, outra, para a terapia e reeducação psicomotora (LE BOULCH, 1982). Estas correntes já apontam não só para diferentes intervenções, de um modo superficial, sob a perspectiva de mercado e atuação profissional, mas, sobretudo, de diferentes olhares.

Fonseca nos diz que, a psicomotricidade tende atualmente a ser reconceitualizada, não só pela “intrusão” de fatores antropológicos, filogenéticos, ontogenéticos, paralingüísticos, como essencialmente cibernéticos e psiconeurológicos. È na integração transdisciplinar destas áreas do saber que provavelmente se colocará no futuro a evolução e atualização do conceito de psicomotricidade (FONSECA, 1995). Deste modo, Fonseca expõe um fato comum que ocorre em todas as áreas da Ciência, devido à quantidade de informações que devem ser compartilhadas, pelas atuações e trabalhos transdisciplinares, e pelos diferentes novos olhares e abordagens que vêm surgindo a todo instante nas mais diferentes áreas.

Para Lorenzon, em relação à definição da psicomotricidade convém referir que seu estudo é recente, pois ainda no início deste século era tratada excepcionalmente. Pouco a pouco, a psicomotricidade afirma-se em diversas orientações que atualmente tentem agrupar-se (LORENZON, 1995). Neste sentido é natural que instituições norteadoras da área, como a SBP, apontem os conceitos, definições e abrangência de atuação. Neste caso, Psicomotricista, segundo a SBP, é o profissional da área de saúde e educação que pesquisa, ajuda, previne e cuida do Homem na aquisição, no desenvolvimento e nos distúrbios da integração somapsíquica (SBP, 2003).

Suas áreas de atuação segundo a SBP são: “Educação, Clínica (Reeducação, Terapia), Consultoria e Supervisão.” (ibidem, 2003). A intervenção psicomotora também pode ser diversificada. Mas Mello aponta três áreas básicas de atuação psicomotora:

“Nos estudos dos pesquisadores recentes, são apontados três principais campos de atuação ou formas de abordagem da Psicomotricidade: 1. Reeducação Psicomotora; 2. Terapia Psicomotora; e 3. Educação Psicomotora. Embora em certos trabalhos esses três níveis de atuação cheguem a confundir-se, existem características próprias em cada um deles.” (MELLO, 2002, p. 33).

De acordo com Neto, na atualidade, existe um grande número de profissionais de áreas diversas que utilizam a motricidade ou a psicomotricidade em diferentes contextos e em diferentes faixas etárias, como em escolas, clínicas de reabilitação, academias, hospitais e outros (NETO, 2002). Segundo ele:

“profissionais de medicina (pediatria, psiquiatria, neurologia e reabilitação infantil); psicologia (psicologia evolutiva, do esporte e especial); educação física e pedagogia (ensino regular e fundamental); fisioterapia e fonoaudiologia. A análise dessa realidade leva à busca de critérios claros que justifiquem tal situação de heterogeneidade – tanto no âmbito da interpretação de aspectos teóricos fundamentais como nas decisões relativas à sua aplicação.” (ibidem, 2002, p. 12).

Tamanha diversificação profissional, áreas e sub-áreas não muito bem delimitadas, assim como, competências que acabam por invadir determinadas intervenções, podem causar conflitos em áreas de intervenção profissional. A clientela atendida pelo psicomotricista, como veremos, também é diversificada. Segundo a SBP, esta clientela é a seguinte:

“Crianças em fase de desenvolvimento; bebês de alto risco; crianças com dificuldades/atrasos no desenvolvimento global; pessoas portadoras de necessidades especiais: deficiências sensoriais, motoras, mentais e psíquicas; pessoas que apresentam distúrbios sensoriais, perceptivos, motores e relacionais em conseqüência de lesões neurológicas; família e a 3ª idade.” (SBP, 2003).

E o mercado de trabalho do psicomotricista, o qual mais uma vez podemos caracterizar amplo e diversificado, segundo a SBP consiste em creches; escolas; escolas especiais; clínicas multidisciplinares; consultórios; clínicas geriátricas; postos de saúde; hospitais; empresas (ibidem, 2003). Como observamos, a atuação do psicomotricista, profissão não regulamentada, cujo alguns entendem estar englobada pela área da Educação Física, quando se trata de atuar no âmbito das atividades físicas, certas vezes pode, portanto, adentrar também no âmbito da reabilitação, área característica da Fisioterapia e em certos casos da Fonoaudiologia e da Medicina e Psicologia.

Resultados e conclusão

Após descrever uma breve narrativa da história e do desenvolvimento da Psicomotricidade e alguns de seus principais personagens, foi constatada através do discurso de diversos autores e instituições, que não há um conceito e definição única. Existem olhares plurais sobre a Psicomotricidade, o que não quer dizer que tais discursos possam divergir, pelo contrário, tais discursos são pautados em pressupostos comuns da Psicomotricidade. Quanto ao aspecto da intervenção na área da psicomotricidade, foi verificado que há basicamente três áreas de atuação: educação, reeducação e terapia psicomotora. Apesar de já haver a vários anos no Brasil, cursos de graduação e pós-graduação latu senso em psicomotricidade reconhecidos pelo MEC, a Psicomotricidade ainda não é uma profissão regulamentada: “No Brasil, tramitamos com um projeto de legalização da profissão do psicomotricista na Assembléia Nacional desde 1996” (ISPE-GAE, 2007), “A Sociedade Brasileira de Psicomotricidade… tem como objetivo maior a busca pela legalização do projeto que regulamenta a profissão” (SBP, 2003). E por ser a Psicomotricidade uma profissão não regulamentada, e por vezes, profissionais de diferentes áreas possivelmente adentrarem em intervenções delimitadas a outras profissões, acreditamos que podem ocorrer conflitos de atuação e intervenção profissional em determinadas áreas.

Referências bibliográficas

  • ALVES, Fátima. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. Rio de Janeiro: Wak, 2003.
  • ARAUJO, Adriana Simões. Contribuições da Música no desenvolvimento Psicomotor da criança em idade pré-escolar. Universidade Estácio de Sá, Faculdade de Educação Física. Dezembro / 1998.
  • BERESFORD, Heron. Conceito de Ciência da Motricidade Humana. Anotações em sala de aula na disciplina Estatuto Epistemológico da Motricidade Humana. Universidade Castelo Branco, Rio de Janeiro, 1º quadrimestre, 2004, (mimeo).
  • CUNHA, Manuel Sérgio Vieira e. Para uma Epistemologia da Motricidade Humana. 2ª edição. Lisboa: Compendium, 1994.
  • DE MEUR, A. & STAES, L. Psicomotricidade: Educação e reeducação – níveis maternal e infantil. Editora Manole, 1991.
  • FONSECA, Vítor da. Manual de obsevação psicomotora: significação psiconeurológica dos fatores psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
  • _________. Psicomotricidade: filogênese, ontogênese e retrogênese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
  • ISPE-GAE. Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação e Grupo de Atividades Especializadas. Disponível em: http://www.ispegae-oipr.com.br. Acessado em 08 outubro 2007.
  • LE BOULCH, Jean. O desenvolvimento psicomotor: do nascimento aos 6 anos. Trad. Por Ana Guardiola Brizolara. 7ª edição. Porto alegre: Artes Médicas, 1992.
  • LORENZON, Agnès Michele Marie Delobel. Psicomotricidade: Teoria e Prática. Porto Alegre: Edições Est, 1995.
  • LUSSAC, Ricardo Martins Porto (Mestre Teco). Desenvolvimento psicomotor fundamentado na prática da capoeira e baseado na experiência e vivência de um mestre da capoeiragem graduado em educação física. Universidade Cândido Mendes, Pós-Graduação “Lato Sensu”, Projeto A vez do Mestre. Rio de Janeiro: 2004.
  • MATTOS, Mauro Gomes de; ROSSETO JÚNIOR, José; BLECHER, Shelly. Teoria e prática da metodologia da pesquisa em educação física: construindo seu trabalho acadêmico: monografia, artigo científico e projeto de ação. São Paulo: Phorte, 2004.
  • MELLO, Alexandre Moraes de. Psicomotricidade: Educação Física: Jogos Infantis. 4ª edição. Ibrasa, 2002.
  • NETO, Francisco Rosa. Manual de avaliação motora. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.
  • NICOLA, Mônica. Psicomotricidade – Manual Básico. Rio de Janeiro: Revinter, 2004.
  • OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: Educação e Reeducação num enfoque Psicopedagógico. 5ª edição. Petrópolis: Editora Vozes, 2001.
  • SBP. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOMOTRICIDADE. Disponível em: http://www.psicomotricidade.com.br. Acesso em: fevereiro 2003.
  • TOJAL, João Batista. Motricidade Humana: O paradigma emergente. Campinas, SP: editora UNICAMP, 1994.

Fonte: http://www.efdeportes.com/efd126/psicomotricidade-historia-e-intervencao-profissional.htm

Acessado em 28/09/2012.

Publicado por: Giselle Brand | novembro 10, 2012

ATIVIDADE ASSÍNCRONA DE NOVEMBRO

Muito se fala de Psicomotricidade na Educação Infantil, porém é preciso pensar nesta questão também na Terceira Idade.

Após a leitura do texto “Corpo e Movimento no Envelhecimento”  comente a importância da Psicomotricidade na Terceira Idade.

Seu comentário contendo de 2 a 3 parágrafos deve ser encaminhado para o meu e-mail giselle@avm.edu.br

Corpo e movimento no envelhecimento
Teresa Cristina Serra Damiano Borghi

A longevidade é uma certeza nos dias de hoje e com ela cresce a exigência de maiores cuidados em torno do idoso além da alteração de antigos paradigmas. A preocupação dos homens que quase sempre esteve atrelada ao crescimento profissional para seu próprio sustento na velhice, hoje tem uma nova cara, pois passou a ter importância a qualidade de sua vida quando se está na velhice, não só no aspecto financeiro, mas também a preservação de seus potenciais cognitivos, competência social e mobilidade motora compreendendo que estes fatores influenciam sua saúde.

Quando se chega à velhice, a inversão de papéis dentro da família constitui só uma das grandes perdas desta população, porque retrata exatamente a perda da autonomia pessoal. Essa perda pode ser de ordem financeira, afetiva, social ou motora e até mesmo todas ao mesmo tempo. Ao perder o controle sobre o próprio corpo se perde a autoconfiança em contrapartida se “ganha” insegurança emocional, fica mais difícil conviver com as situações, praticamente inerentes a esta fase da vida como, por exemplo, receber ordens e críticas dos mais jovens, ser dependente financeiramente de quem sempre sustentou, etc…

Assim como o desenvolvimento da criança é progressivo não obedecendo a uma cronologia rígida; a velhice é um segmento do desenvolvimento humano que também não segue as mesmas características para todos. A dimensão do envelhecimento funcional depende, e muito, das condições anteriores de vida do indivíduo, como fatores ambientais, lazer, nível de estresse, moradia, sedentarismo e outros.

Fico extremamente feliz pela oportunidade de escrever este artigo, através dele pude voltar a refletir sobre um público que tive a felicidade de trabalhar por um curto espaço de tempo. Falar do corpo em movimento é falar das relações tônicas que são responsáveis pela expressão gestual do ser humano em qualquer faixa de idade. É a identidade, revelada através do gesto, que sofre alterações com o passar dos anos devido a sua própria composição influenciada, por fatores motores, fisiológicos, afetivos e sociais.

Quando falo em fator motor da relação tônica é sob o aspecto mecânico da sua execução, além disto existe a fase receptora que é a parte sensível, ou seja, enquanto a fase executora (motora) gera o movimento a fase receptora (sensível) gera a “atitude”.

Na realidade o tônus surge de uma função nervosa integrada que ao final de tudo é o grande responsável pela comunicação do ser humano explicitada através do gesto e da expressividade corporal, o tônus regula o comportamento humano num diálogo entre o fisiológico e o psicológico.

O movimento no envelhecimento exprime a função tônica, daquele momento, de forma individualizada e não estabelece ligação direta com idade, contada em anos, e sim com a vontade de viver, a capacidade de fazer e experiência anterior (conhecimento), que nada mais são, do que os pressupostos teóricos da função complexa do cérebro humano, denominada Psicomotricidade, onde o movimento é estudado numa conexão direta com as funções psíquicas.

A Atividade física, os estímulos sensoriais somados aos perceptivos podem ser uma fonte de prazer, por ativar a energia pessoal, além de cumprir outras funções, por exemplo, o fortalecimento do sistema músculo esquelético que inclui, ossos, músculos, articulações, etc. É gratificante saber que cresce a cada dia, os trabalhos voltados para os idosos no Brasil, e independente de onde sejam realizados, nos deixam a certeza de um mundo melhor pelo menos no aspecto da qualidade de vida após findar o período de produtividade profissional, que todos nós enfrentamos um dia.

A Senilidade pode ser sinônimo de satisfação de vida e de bem estar. Basta que o adulto não perca de vista, sua própria essência e busque em toda trajetória da sua vida, novos desafios que lhe tragam, acima de tudo “prazer de viver”. A sensação de bem estar varia de pessoa para pessoa, pois está ligada ao temperamento de cada um, mas dentre os vários benefícios para a manutenção da funcionalidade, destaco os da Psicomotricidade porque sua atuação no processo de envelhecimento resgata a comunicação do corpo e reforça sua autonomia.

Fonte: http://www.psicomotricidade.com.br/artigos/corpo_%20movimento.htm

Acessado em 28/09/2012

Publicado por: Giselle Brand | outubro 4, 2012

ATIVIDADE ASSÍNCRONA DE OUTUBRO

Assista o vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=_RI8wZ2ztY8

E comente a  importância da relação Psicomotricidade como contribuição na Aprendizagem. O comentário precisa ter de 2 a 3 parágrafos e deve ser encaminhado para o e-mail giselle@avm.edu.br com nome e matrícula.

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